CVM abre ação contra XP caso ex-assessor tenha prejudicado clientes no valor de R$ 20 milhões

Benchimol, além de outros dois réus. O caso remonta a atividades ilegais realizadas por um agente independente, que em 2017 levou a XP a indenizar R$ 5 milhões a cada um dos quatro clientes lesados em razão das operações. Na época dos acontecimentos, Benchimol era o CEO da corretora.
Este processo é resultado de uma investigação iniciada pela SEC em 2022 e só agora concluída. O objetivo foi investigar possíveis infrações relacionadas a carteiras administradas pela gestora carioca Genus Capital e cometidas contra clientes indicados por agentes independentes do escritório da Index Capital entre janeiro de 2014 e outubro de 2017.
No passado, Guilherme Benchimol já foi processado por erros cometidos por agentes independentes ligados à XP Terminou em absolvição. Na época, Benchimol foi acusado de se passar por administrador responsável pela XP, mas não de estar diretamente envolvido nela Foram conduzidas investigações sobre violações que indicavam erros no armazenamento de pedidos de clientes. (Hoje, Benchimol não tem mais responsabilidades executivas perante a CVM da XP, pois é Presidente do Conselho de Administração e não ocupa cargos de gestão jurídica na corretora.)
As acusações contra cada um dos réus no novo caso ainda não estão claras. Além da XP e da Benchimol, foram indiciados Ricardo de Oliveira Barbosa (sócio da Index à época dos fatos investigados) e Alexander Klapin (sócio da Genus Capital, que posteriormente passou a se chamar Roma Asset).
Quando conectado à coluna, o XP ainda não respondeu. A coluna não conseguiu contato com Klapin e Ricardo de Oliveira Barbosa.
Ainda não há data para o caso ser julgado na CVM, e ele é do tipo penal – ou seja, a denúncia foi formulada pela área técnica do órgão e será julgada pelo Conselho da CVM.
2017 d.C., Depois que Anselmo Joyce expôs o caso em sua coluna no O GLOBOa XP informou que um ex-agente independente associado à corretora (por meio da Index Capital), juntamente com a gestora Genus, “conduziu de forma inadequada – contrária aos nossos padrões e princípios éticos – com um grupo de quatro clientes, resultando em uma perda agregada de aproximadamente R$ US$ 5 milhões.”
“Embora a XP Investimentos reconheça que sua responsabilidade é limitada, ela compensará integralmente seus clientes, reservando-se o direito de tomar medidas legais contra os responsáveis pelas perdas acima”, dizia o memorando de 2017 da empresa.
A matéria apurou que a XP havia de fato buscado indenização de pelo menos um dos envolvidos no caso: Alexander Klapin. Em 2017, a empresa fechou acordo com a Kalbin para devolução de R$ 3 milhões em oito parcelas. Porém, em 2019, Klapin deixou de pagar, o que levou a XP a executar a dívida na Justiça, como comprova o processo que tramita no Tribunal de Justiça do Rio.
Em resposta à execução, Clappin ofereceu como garantia um imóvel rural em Nova Iguaçu, mas a XP contestou a autenticidade do bem, argumentando que o valor declarado na escritura era menor que o da dívida e que o imóvel pertencia a outra pessoa.
Na última vez que a CVM moveu ação contra XP e Benchimol, os réus assinaram compromisso de R$ 5 milhões, em 2022, para encerrar o processo. A investigação destacou violações nos planos de emergência e controles internos da corretora.
Fonte: lifinaday